"Sem os males que contrastam os bens, não nos creríamos jamais felizes por maior que fosse nossa felicidade." (Marquês de Maricá)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
uma breve reflexão acerca dos limites da liberdade de expressão
Homossexualidade: respeitar a diferença não significa concordar - cultura da paz
Regis Mesquita
Um grupo de classe média alta saiu de casa e agrediu homossexuais que encontrou pelo caminho, na avenida Paulista, em São Paulo.
Com lâmpadas, cortaram o rosto dos agredidos.
Foram presos e rapidinho soltos da ex-Febem. Se fossem pobres...
O que fazer para diminuir a homofobia?
Primeiro: punir quem agride ou insiste em difundir idéias de agressão/exclusão. Na campanha eleitoral 2010 alguns grupos religiosos fizeram uma grande campanha contra o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, na qual uma das partes atacadas era justamente esta.
Segundo: ensinar que todos tem o direito de decidir a própria vida. Ninguém precisa concordar com as escolhas alheias. Temos é que respeitar.
Terceiro: deve haver um reconhecimento social de que o humor tem sido uma das formas de perpetuação do preconceito social contra os homossexuais. Nos programas humorísticos o homossexual é sempre promíscuo, "afetado", "sem noção", vestido com roupas ridículas, etc. Ou seja, a realidade de uma pequena parcela de homossexuais é representada como sendo a realidade de todos.
Falta o reconhecimento social de que o homossexual é um ser humano que trabalha, estuda, ama, tem família, amigos, sonhos. O que o diferencia é a sexualidade homo-direcionada (dirigida para quem é do mesmo sexo).
Existem homossexuais que precisam de tratamento psíquico? Existe. Como, aliás, existem os heterossexuais que também precisam de tratamento.
O que precisamos é ensinar as crianças e adultos a respeitarem a diferença. Respeitar a diferença não significa concordar. Significa apenas que cada um pode escolher seu caminho e que a diferença não será motivo para práticas que ferem os direitos humanos.
Me lembro uma vez quando um direitor de uma empresa me disse: "tem um funcionário que eu queria promover. Mas, ele é homossexual. Você acha que a peãozada vai respeitar um chefe homossexual"?
Este senhor era meu colega no espiritismo. Eu disse para ele: "não decida com os olhos do mundo. Procure se inspirar nos Evangelhos".
Algum tempo depois ele me agradeceu. Ele percebeu que estava agindo com pouca caridade ao bloquear a carreira profissional de um ser humano competente. Ele preparou o rapaz para enfrentar os preconceituosos que iriam desafiá-lo. O rapaz se deu bem no cargo de chefe.
Acho esta história legal porque mostra que o preconceito está dentro de nós; afinal, fazemos parte da mesma cultura. Temos que ter muito cuidado para não prejudicar seres humanos que fazem escolhas diferentes e estranhas às nossas escolhas.
Ensinar as pessoas a respeitar quem é diferente é fundamental para termos uma cultura de paz e tolerância.
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